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    Sexta-feira
    Jan222010

    Comissão de juristas retoma os trabalhos em busca de um novo Código de Processo Civil mais ágil

    Após o recesso parlamentar, que termina no dia 1º de fevereiro, a comissão de juristas que elabora o projeto de um novo Código de Processo Civil (CPC) retomará os trabalhos com o mesmo objetivo: agilizar a prestação de serviços da Justiça, diminuindo a quantidade de recursos possíveis hoje. Como esse colegiado foi criado por designação do Senado, a matéria iniciará sua tramitação nessa Casa e não na Câmara dos Deputados.

    Ao apresentar os resultados preliminares em dezembro do ano passado, o presidente da comissão, ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Luiz Fux, observou que aquela corte está examinando cerca de 250 mil processos. Ele também anunciou na ocasião que a comissão deve apresentar o projeto do novo CPC no primeiro semestre de 2010.  

    Coletivização de demandas 

    O ministro disse que, visando simplificar o processo civil para torná-lo mais rápido, o projeto deve criar instrumentos como o "incidente da coletivização de demandas". Segundo Luiz Fux, isso permitirá que, em vez de milhares de ações sobre litígios semelhantes, apenas uma ação coletiva "produza uma decisão aplicável a todo o país". Ele ressaltou que essa medida se aplica somente a litígios que possam ser "massificados".

    - É o que ocorre, por exemplo, quando milhares de pessoas contestam a assinatura básica de telefonia - explicou.

    Dessa forma, salientou o ministro, pretende-se evitar que ações semelhantes "resultem em decisões completamente inconciliáveis, fazendo com que uma pessoa ganhe e outra perca a partir de uma mesma situação jurídica". Para o consultor-geral do Senado Bruno Dantas, membro da comissão de juristas, "essa distorção incentiva a utilização dos recursos, devido à sensação de injustiça provocada pela insegurança jurídica".

    Recursos e conciliação 

    Outra modificação prevista é a restrição à apresentação de recursos. O consultor do Senado Bruno Dantas avalia que "existe hoje um excesso de recursos, já que é muito fácil e barato recorrer". Entre as medidas que poderão limitar o uso dos recursos está o fim do agravo de instrumento (a não ser para questões de urgência) e dos embargos infringentes, além da limitação ao uso dos embargos de declaração.

    - O objetivo é reduzir o número de recursos e impedir aventuras judiciais, o que resultará também na redução considerável do volume de impugnações que ocorre na segunda instância - disse ele.

    A comissão também pretende tornar obrigatórias as audiências de conciliação. Em reunião realizada em novembro do ano passado, a advogada Teresa Wambier, relatora do colegiado, argumentou que essa medida permitirá a redução do número de processos - como resultado do esforço para que as partes em uma ação entrem em acordo.

    Ricardo Icassatti / Agência Senado

    Quarta-feira
    Out282009

    Ministro Luiz Fux concede entrevista sobre reforma do CPC

    No Podcast Rio Bravo desta semana, o Ministro Luiz Fux, do STJ, explica como a Justiça brasileira deve se tornar mais rápida com a reforma do CPC, que pode acontecer no ano que vem. Luiz Fux preside a comissão de juristas que enviará ao Senado, em 2010, um texto que servirá de base para um anteprojeto de reforma.

    Entre outras medidas, a reforma pode reduzir o número de recursos cabíveis durante processos judiciais, além de trazer mais agilidade e menos formalismo. Luiz Fux é autor de um dos livros mais respeitados sobre o Processo Civil e considerado por muitos o maior especialista nesta matéria no STJ.

     

     Nos últimos anos, o Brasil passou por profundas transformações econômicas, mas do ponto de vista do cidadão, que entra na justiça, houve avanço nesse terreno?

     

    Houve avanço, no meu modo de ver, no sentido da efetivação das decisões. As decisões além de demoradas não se realizavam com efetividade. As pessoas usavam um refrão coloquial dizendo que “ganhavam, mas não levavam”. O juiz que condenava não era o mesmo juiz que tornava realidade a condenação.

    A grande modificação cirúrgica no código do processo civil foi no plano da efetividade, no plano da realizabilidade prática das decisões judiciais. Mas no campo da morosidade, o que se concebeu com muita perfeição inclusive foi a criação de técnicas para enfrentar o volume de processos.

    A nova comissão tem uma outra ideologia que é a da celeridade processual. Então o que propugnamos não é que tenhamos instrumentos para enfrentar milhares de processos, mas antes que nós não tenhamos milhares de processos e para isso temos que ter técnicas conducentes à redução do número de demandas sem criar nenhum prejuízo em que a parte possa reclamar sobre alguma ameaça ou lesão.

     

    Como vai funcionar a comissão na prática?

     

    A comissão já está instalada, tem uma primeira reunião marcada para daqui a aproximadamente 30 dias. Nesse período, os seus membros vão interagir, cada um em seu Estado, através de remessas de mensagens e, no dia 30 de novembro, já teremos algo mais concerto e palpável para caminharmos.

    Todos opinarão sobre tudo. Além disso, ao longo dos próximos seis meses, pretendemos debater de forma ampla o código para que não seja um código da comissão e sim da nação brasileira. Vamos discutir com a comunidade científica, com a OAB, com a Magistratura, com o Ministério Público e todos aqueles sujeitos que intervém no processo para que seja um documento que represente a expectativa de todas as classes que atuam no segmento judicial.

     

    O senhor disse recentemente que existem dois valores que disputam espaço no processo jurídico: a celeridade e a segurança. A segurança, também conhecida no meio jurídico como "garantismo," é a possibilidade de apelos e recursos que, em tese, podem "corrigir" um erro cometido pela Justiça durante o processo. Explique por favor essa tensão entre celeridade e segurança, e qual visão o senhor pretende levar para o debate?

    Há momentos históricos onde é possível detectar que o valor é a segurança jurídica. Quando esse valor é preponderante a tendência que o processo seja extremamente litúrgico, excessivamente dialético, muito formalista e prende recursos.

    O que nós vamos agora, nessa comissão, é tentar conciliar esses dois valores sendo certo que a comissão está imbuída dessa ideologia da celeridade porque hoje a celeridade prepondera sobre a segurança. Até porque temos instrumentos capazes de prestar uma tutela judicional rápida.

     

    Isso acontece mais no varejo do que no atacado. Ou seja, há alguns instrumentos que promovem a celeridade, mas não são usados em larga escala na justiça?

    Exatamente, a ideia é transformar esses instrumentos como regra e não como exceção.

    A comissão pretende que nesses litígios de massa haja necessariamente a provocação de uma entidade, de uma associação ou do Ministério Público, que tem se mostrado melhor veículo para essas demandas, e que essa solução nesse processo coletivo sirva para milhares de processos. Que vincule milhares de demandantes individuais. A vantagem disso é evidente. Ao invés de termos milhares de ações, vamos ter uma ação, um processo coletivo, uma solução que servirá para milhares de pessoas.

    O que queremos é que esse volume de processos não exista e que os juizes possam se dedicar com muita tranquilidade a cada uma das causas que cheguem as suas mãos, mas causas que sejam filtradas para que ele não precise exercer sua função repetitivamente.

     

    Como funciona a possibilidade de recursos hoje, e como o senhor imagina que isto poderia ser depois da reforma?

       

    Hoje o processo apresenta uma série de fase de filtragens. A cada manifestação judicial o juiz não só é obrigado a ouvir a outra parte como também essas decisões, quando lesivas, são recorríveis.

    A ideia básica da comissão é exatamente que num processo, a parte se rebele contra tudo que ela não ficou satisfeita no final da causa. Até porque é possível que ela se manifeste insatisfeita no curso do processo, como por exemplo, quando o juiz indefere uma prova que ela pretende, mas no final da causa ela sai vencedora. Então no final da causa é que vamos abrir as partes para oportunidade para que elas recorram de tudo quanto se mostrarem insatisfeitas.

    Evidentemente que ha casos em que não se pode esperar, como por exemplo, uma medida liminar que causa um efeito enérgico na esfera jurídica da parte adversa que recebeu o provimento de urgência. Nesses casos vamos imaginar um recurso cabível para isso. A regra vai ser a irrecorribilidade das decisões itinerantes. A regra vai ser a unificação de um só recurso.

     

    É possível fazer com que o instrumento da jurisprudência seja mais poderoso, e assim ajude a desafogar os fóruns de processos?

    A força da jurisprudência vem ganhando, há duas décadas, uma reforma expressiva que vem se timbrando através de institutos novos.

    Por que uma decisão tem que ser recorrível se ela está de acordo com a jurisprudência dos tribunais? Isso apenas indica que o jurisdicionado vai levar mais tempo para ter sua resposta. Ele sabe que se for aos tribunais superiores ele vai conseguir reverter aquela decisão para que esteja de acordo com aquela jurisprudência. O ideal é fazer com que a força de jurisprudência tenha vinculação no primeiro grau de juridição.

     

    Esse ante-projeto poderia, por exemplo, desjudicializar algumas questões?

    A ideia que estamos imaginando é exatamente essa. Hoje há uma tendência nossa de colocarmos algumas questões para serem resolvidas na esfera administrativa e depois se surgir um litígio, que ele venha para o judiciário.

    Vários procedimentos que o código denomina de jurisdição voluntária porque não é litígio podem ser repassados para esferas administrativas, que não retirará um milímetro se quer da importância político-juridica do poder judiciário. Por exemplo: Inventário, separação consensual.

    Quinta-feira
    Out152009

    Ministro Luiz Fux é empossado presidente da comissão do novo CPC 

     

     

    Ministro Luiz Fux é empossado presidente da comissão do novo CPC O ministro Luiz Fux, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), tomou posse, nesta quarta-feira (14), como presidente da comissão de juristas designada pelo Senado Federal para elaborar o anteprojeto do novo Código de Processo Civil (CPC). O ministro foi empossado pelo presidente do Senado, José Sarney, ao lado dos demais integrantes da comissão em solenidade realizada no Salão Nobre daquela Casa legislativa. A comissão foi instituída seguindo o modelo, considerado bem-sucedido, de grupo semelhante que elaborou anteprojeto do Código de Processo Penal.

    Além do ministro do STJ, a comissão também é formada pelos juristas Adroaldo Furtado Fabrício, Bruno Dantas, Elpídio Donizete Nunes, Humberto Theodoro Júnior, Jansen Fialho de Almeida e José Miguel Garcia Medina. Bem como José Roberto Bedaque, Marcus Vinicius Coelho, Paulo Cezar Pinheiro Carneiro e Teresa Wambier – esta última, designada para a relatoria geral dos trabalhos. Conforme informações do Senado, o atual CPC, que data de janeiro de 1973, já foi alterado de alguma forma por meio de 64 normas editadas. Sua modernização é necessária levando-se em conta que os instrumentos processuais de proteção dos direitos fundamentais não gozavam, àquela época, do mesmo desenvolvimento teórico de hoje.

    Ao ser empossado, Luiz Fux destacou a importância do trabalho a ser realizado e enfatizou que um dos principais desafios da comissão será a criação, no novo código, de instrumentos que acelerem a prestação da Justiça e, dessa forma, o bom atendimento ao jurisdicionado. “Estou extremamente honrado por participar de uma comissão integrada por um verdadeiro pool da inteligência jurídica do nosso país”, afirmou Luiz Fux. Acrescentando que existe um reclamo popular no sentido de dar maior agilidade na prestação dos serviços por parte da Justiça.

    Sugestões

    Ele citou como exemplos que podem vir a ser adotados a possibilidade de que os recursos, hoje apresentados ao longo da tramitação de um processo em várias instâncias, possam vir a ser interpostos após a sentença, como forma de acelerar a tramitação. “Assim as partes poderiam recorrer da decisão e, conjuntamente, de todas as reclamações sobre o curso do processo”, afirmou. Outras novidades citadas pelo ministro são a possibilidade de serem encontradas formas de determinadas questões judiciais tentarem ser resolvidas antes, no âmbito administrativo, podendo ser submetidas depois ao Judiciário no caso de alguma litigiosidade – o que chamou de “desjudiscialização”.

    Ele também ressaltou a necessidade de o novo Código ser adaptado ao processo eletrônico e a possibilidade de se coletivizar a prestação da Justiça. “Na época da elaboração do atual Código, 1973, a maioria das demandas era individual, enquanto hoje existem na Justiça inúmeras demandas coletivas. Se uma única sentença der uma resposta judicial a todos os jurisdicionados num determinado assunto, conseguiremos acelerar bastante o andamento dos processos. Isso já existe em leis esparsas, mas não no atual CPC. A regra que pretendemos adotar é a da legitimação coletiva”, explicou.

    Brasil

    Para o presidente do Senado, José Sarney, o atual Código precisa ser modernizado por meio de um novo texto que esteja à altura do Brasil de hoje e de amanhã, cujas relações jurídicas mostram-se muito mais complexas do que aquelas vigentes em 1973. José Sarney lembrou o fato de ter sido durante sua gestão anterior que o Senado apreciou e votou a Reforma do Judiciário, com grandes destaques para a sociedade. O presidente do Senado ressaltou, ainda, a reforma do Código Civil, em 2002, e o atual momento, em que os senadores estão analisando “o trabalho competente e bem-sucedido da comissão de juristas que elaborou o anteprojeto do Código de Processo Penal, uma velha reclamação da sociedade e da magistratura”, conforme acentuou.

    De acordo com o ato que instituiu a comissão para o novo CPC, o grupo deverá apresentar, dentro de prazo de 180 dias, o anteprojeto do novo Código – o prazo para conclusão dos trabalhos será contado a partir de 1º de novembro. A comissão, que trabalhará de forma gratuita, já realizou sua primeira reunião hoje, logo depois que os membros foram empossados.

    O ministro Luiz Fux falará logo mais sobre a posse e as ações da comissão no programa Espaço Aberto, da Globonews, durante entrevista programada para ir ao ar a partir das 21h30.